<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7981814124211715467</id><updated>2012-02-16T17:04:51.755-08:00</updated><category term='Fome'/><category term='descobertas'/><category term='fábula'/><category term='tempo'/><category term='Gastança'/><category term='história'/><category term='madrid'/><category term='coelho'/><category term='Contagem'/><category term='escolhas'/><category term='alice'/><category term='gato'/><category term='vontades'/><category term='mundo'/><category term='livro'/><title type='text'>Outros Quinhentos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7981814124211715467/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Constance</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08693736845355193574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_vKkSM8_7C2Y/S2RilBymuDI/AAAAAAAAAK0/-RDaa8NI0QI/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC09399.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7981814124211715467.post-4620251001980797367</id><published>2012-01-06T19:31:00.000-08:00</published><updated>2012-01-06T19:36:12.246-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='madrid'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vontades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escolhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tempo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='descobertas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mundo'/><title type='text'>AQUELA MANHÃ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-NYbjrqf0CzQ/TaPM0-b78LI/AAAAAAAABjE/_C4A8WzaQ5o/s1600/nascer+do+sol.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 540px; height: 360px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-NYbjrqf0CzQ/TaPM0-b78LI/AAAAAAAABjE/_C4A8WzaQ5o/s1600/nascer+do+sol.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O dia estava quase nascendo. O céu já deixava de ser azul marinho, sua cor se desvanecia sob a implacável ditadura do relógio. Mais uma noite em claro e tudo que ela queria era ver o dia em pé. O som de bêbados cantando embaixo de sua janela a atraiu à primeira cena do dia que raiava. A moldura, uma janela estreita e que rangia ao menor toque. O cenário, o mesmo de todos os dias. Os mesmos carros, os mesmos prédios, a mesma calma e tranqüilidade que sempre a recebiam ao despertar. Todas as características daquela cidade já estavam impregnadas em sua rotina, mas não poderia chamar aquilo de natural. Olhava para as árvores, cheias de pássaros que executavam sua sinfonia diária. Teriam aqueles pássaros escolhido aquela rotina? Eleger a única opção é escolher? Lembrou-se de todas as vezes em que fora obrigada a dizer sim, e o fez contente, por não conhecer o não. Teria sido ela quem um dia disse que a cor vermelha era a sua preferida na caixa de lápis? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O mundo estava se abrindo. Diferentemente de todos os outros dias, o cenário na janela agora fazia sentido. Havia um novo plano de fundo: todas as suas escolhas até então, todo o seu critério, toda a sua vontade. Que havia sido aquilo senão a tentativa de corresponder ao que se esperava de uma menina, de uma moça, de uma mulher como ela? Que havia sido tanta projeção e sucesso, ainda jovem, senão o fruto de seu desejo de ser tal brilhante como um dia predisseram? Aquilo de querer ser exatamente o que se esperava que ela fosse estava tão arraigado que nem com todo o discernimento que possuía, depois de anos de construção de uma mente crítica e sagaz, podia distinguir do que realmente era. Ser o que deveria ser. Dever ser o que se é. Foi naquela manhã incipiente que a dúvida surgiu. E, ela pode confirmar, ali o mundo se abriu.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;[Texto de 26/06/2011, inédito até então.]&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7981814124211715467-4620251001980797367?l=outrosquinhentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/feeds/4620251001980797367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/2012/01/aquela-manha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7981814124211715467/posts/default/4620251001980797367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7981814124211715467/posts/default/4620251001980797367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/2012/01/aquela-manha.html' title='AQUELA MANHÃ...'/><author><name>Constance</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08693736845355193574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_vKkSM8_7C2Y/S2RilBymuDI/AAAAAAAAAK0/-RDaa8NI0QI/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC09399.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-NYbjrqf0CzQ/TaPM0-b78LI/AAAAAAAABjE/_C4A8WzaQ5o/s72-c/nascer+do+sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7981814124211715467.post-7175259203037028225</id><published>2012-01-04T18:06:00.001-08:00</published><updated>2012-01-04T18:11:57.395-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coelho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alice'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fábula'/><title type='text'>AS MARAVILHAS DE ALICE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IA6W_sVFRGA/TwUG5UUQktI/AAAAAAAAAYI/iNh81JWTRrE/s1600/alice%2Be%2Bgato.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-IA6W_sVFRGA/TwUG5UUQktI/AAAAAAAAAYI/iNh81JWTRrE/s400/alice%2Be%2Bgato.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693964885655851730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Se há um mundo encantado para o qual eu me mudaria, seria, sem dúvidas, o País das Maravilhas – o palco divertido e surreal das peripécias de Alice, a heroína de fábulas mais fascinante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quem não gostaria de poder sumir por um buraco atrás de um coelho quando a vida está monótona demais? Aliás, que delícia seria ter um coelho dizendo sempre que está atrasado. Talvez assim nos sentíssemos mais descompromissados com o tempo, que tanto nos pressiona e aprisiona. Afinal, se um coelho de cartola e relógio de bolso está “sempre atrasado”, nós podemos ter o tempo nas mãos. Tempo até pra puxar um trago com uma lagarta monossilábica que, mesmo em outra dimensão, responde as nossas mais profundas questões existenciais. Alice viveu isso – não saber o que comer para alcançar o seu tamanho original era uma dúvida e tanto para a garota. Quantas vezes precisamos que alguém nos diga que estamos “grandes” demais e devíamos ingerir algo que atenuasse esse ego inflado? E o contrário? Será que não seria ideal uma lagarta fumando algo misterioso que nos pudesse dizer que não, não devemos nos sentir tão apequenados, bastar tomar uma dose de. E por falar em dose, como já desejei participar, nem que fosse por uns minutos, de um lanche com o Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março. Todos aqueles chás alucinógenos sem maiores efeitos colaterais além de provocar divagações deliciosas. Discutir-se-ia sobre matemática, francês e filosofia, tudo regado a goladas de algo líquido e colorido com lápis de cera. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No mundo de Alice, nem tudo, porém, é inverossímil. Numa cartada (com o perdão do trocadilho) genial, Lewis Carroll criou a mais tirana e divertida soberana: a Rainha de Copas. Com gritos afoitos e ordens escalafobéticas, a rainha manda e desmanda nos súditos e no marido, o pequeno e submisso Rei. Fazendo uma analogia à então recente “Guerra das Duas Rosas”, o autor nos brinda com a personagem que nos traz um pouco de volta ao mundo real. Não há como negar que as ordens da Rainha, que só aceitava rosas vermelhas em detrimento das brancas, nos remetem às situações em que a vida nos é bastante madrasta. Estamos constantemente sob a mira de alguém que quer nossa cabeça cortada a todo custo.  Como não poderia deixar de ser, há, nesse reino de gritaria, um julgamento final, em que Alice é posta de ré e quando vários personagens têm condutas diferentes do que se podia deles esperar. Há sempre muita contradição no mundo real, não?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Inegável é, sem dúvidas, o charme que o gato listrado de duas cores apresenta. Com frases ambíguas e colocações de coerência duvidosa, ele, por vezes, nos dá lições. Com seu sorriso matreiro e seus truques de aparecer e desaparecer, o felino responde a Alice algo que merecíamos ouvir a cada vez que mais de um caminho se apresentasse. Quando perguntado qual o melhor caminho que deveria seguir, Alice recebe a resposta de que dependia do seu destino. Com a espontaneidade de uma criança, mas a consciência de um adulto, a menina responde que não sabe pra onde ir. O Gato Risonho diz então: “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.” &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Obrigada, Gato. Obrigada, Alice. Obrigada, Lewis Carroll, pela resposta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;[Não deixem de ler a versão original de “Alice no País das Maravilhas”, o texto é riquíssimo. Leiam também “Alice Através do Espelho”, a história menos conhecida da nossa protagonista, também genial com seus personagens e enredo próprios.]&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7981814124211715467-7175259203037028225?l=outrosquinhentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/feeds/7175259203037028225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/2012/01/as-maravilhas-de-alice.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7981814124211715467/posts/default/7175259203037028225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7981814124211715467/posts/default/7175259203037028225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/2012/01/as-maravilhas-de-alice.html' title='AS MARAVILHAS DE ALICE'/><author><name>Constance</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08693736845355193574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_vKkSM8_7C2Y/S2RilBymuDI/AAAAAAAAAK0/-RDaa8NI0QI/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC09399.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-IA6W_sVFRGA/TwUG5UUQktI/AAAAAAAAAYI/iNh81JWTRrE/s72-c/alice%2Be%2Bgato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7981814124211715467.post-702025646204120259</id><published>2012-01-01T21:55:00.000-08:00</published><updated>2012-01-01T23:04:24.477-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gastança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fome'/><title type='text'>A CONTAGEM DAS RABANADAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-tfJuzkWyR70/TwFW4yyvgJI/AAAAAAAAAXk/bJJxUiQnVe8/s1600/rabanadas.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 360px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-tfJuzkWyR70/TwFW4yyvgJI/AAAAAAAAAXk/bJJxUiQnVe8/s400/rabanadas.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5692926937680281746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms'; font-size: medium; "&gt;Final de ano, início de um novo. E o mesmo e estranho fenômeno volta a assolar as pobres mentes – e estômagos – humanos: a fome. A tradicional culinária brasileira (que é, deliciosamente, um grande caldeirão cheio de temperos e sabores de todos os lugares) mostra os tons que guarda para as celebrações de final de ano. E aí começa o deleite dos gordinhos de plantão, os gordos de fato ou aqueles de pensamento pecaminosamente guloso. Pernil, tender e peru, calda de abacaxi, de laranja e de maçã. Damasco, ameixa e nozes. Rabanada, rabanada, rabanada. E rabanada. Arroz com passas, molho de champion, rondelli de frango. Para acompanhar, cerveja, uísque, muito vinho tinto, vinho espumante e, claro, doses colossais dos mais variados refrigerantes – comum, diet, light e zero. Depois, quando o corpo pede penico, terminamos de aniquilar a dignidade e, invariavelmente, a dieta de um ano em tortas, doces, sobremesas das mais variadas e, como não poderia deixar de ser, rabanadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;Começo mais um janeiro com a mesma sensação de todos os anos, de que preciso voltar à rotina. Peço armistício dos grandes pratos, não posso continuar tão desregrada. Por isso, não sou das que fogem de estabelecer metas e resoluções de ano-novo, mesmo que cumpri-las não seja um ultimato. Como toda mulher, prometo a mim mesma controlar a compulsão de continuar com a surreal dieta de dezembro, de saber distinguir o que é necessário e o que não passa de pura e simples gula. Refrigerante? Só o zero. Tortas e doces só aos finais de semana. As rabanadas estão irrevogavelmente suspensas por um ano. Sobra na despensa o comum dos onze meses comuns. E sobra também a dúvida: de onde vem toda aquela voracidade?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;Peguei-me pensando sobre o que significa tanta urgência em viver na fartura, depois de um ano inteiro de contenção de calorias. Ora, é bem simples. Passamos os meses contando. Contamos dinheiro, pois ele será necessário pra comprar todos aqueles presentes que necessitamos distribuir para a enorme família. E para pagar as férias. Contamos também os minutos para que cheguem tais dias de descanso. Contamos as horas de cada dia para sentir o frescor da liberdade. Contamos os amigos que merecem nosso tempo, contamos os familiares que merecem ser convidados pras festas. Contamos nos dedos as vontades que nos permitimos cumprir sem pensar demais. Contamos o troco do lanche apressado, contamos os segundos (intermináveis) até que o sinal vermelho torne-se verde e o mundo abra caminho novamente. Contamos no ponteiro quanto falta até recarregarmos o carro com sua energia vital, a tão cara gasolina. E aí contamos quantos litros de álcool precisamos colocar misturado pra que a contagem da fatura do cartão de crédito não seja tão dolorosa. Contamos quantos comprimidos faltam até que a próxima cartelinha de remédio precise ser comprada. Contamos mentiras pra podermos contar com nossas verdades. Contamos com os outros e, desapontados, contamos como são maus. Contamos vantagens, contamos história. Contamos quanto aprendemos, sem contar que conhecimento é qualitativo, não quantitativo. Contamos quanto recebemos e quanto gastamos, pra sabermos no final com quanto podemos contar. Como pastores, contamos quantas ovelhas arrebanhamos, com nossas ideias infalíveis e conceitos deturpados. Contamos quantos números faltaram pra ganharmos na loteria. Contamos a outros, com tristeza, que foram poucos. Contamo-nos burros, por não saber contar e deixar tanto se esvair. Contamos muito, cantamos pouco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;E aí vem a época da libertação. Esquecemos toda a ideologia que contamos (e cantamos) aos quatro ventos durante todo o ano e nos entregamos de braços abertos à época do consumismo, das alegrias fugazes, dos encontros (inevitavelmente seguidos de desencontros) e, claro, da comilança. Falta tão pouco para o gran finale, que não queremos mais contar. Já estamos na sobra, tudo o que vier é lucro. E aí o instinto animalesco de comer tudo que for possível toma conta. E comemos, comemos, comemos. Comemos presentes, comemos abraços, comemos fogos de artifício,comemos árvores de Natal, comemos shoppings, comemos as pessoas amadas (no melhor sentido), comemos músicas repetitivas (e por isso, comemos todo ano a Simone), comemos alegria, comemos e bebemos doses homéricas de tudo. E comemos rabanada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;Mas que mal pode haver? Esquecemos, pela primeira vez no ano, de contar com o óbvio, com o evidente. Em breve outro ano despontará e nos contará que, mais uma vez, somos ábacos incansáveis, por mais longos onze meses. E aí voltamos a contar tudo de novo. Essa eu tive que contar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7981814124211715467-702025646204120259?l=outrosquinhentos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/feeds/702025646204120259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/2012/01/contagem-das-rabanadas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7981814124211715467/posts/default/702025646204120259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7981814124211715467/posts/default/702025646204120259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://outrosquinhentos.blogspot.com/2012/01/contagem-das-rabanadas.html' title='A CONTAGEM DAS RABANADAS'/><author><name>Constance</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08693736845355193574</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_vKkSM8_7C2Y/S2RilBymuDI/AAAAAAAAAK0/-RDaa8NI0QI/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC09399.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-tfJuzkWyR70/TwFW4yyvgJI/AAAAAAAAAXk/bJJxUiQnVe8/s72-c/rabanadas.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
