segunda-feira, 23 de abril de 2012

DA INSEGURANÇA...

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                      Sinto-me fraca, sozinha, numa multidão de perigos. Mas que perigos serão esses senão os próprios medos que neguei ter outrora? Está bem, está certo, admito! Temo o tempo todo. Temo o tempo todo temer. E que temor maior pode haver que saber-se temeroso? Medo de tudo, medo de escuro, medo da solidão. E, sobretudo, medo do medo. Pavor do medo, medo de sentir medo.
Palavras repetidas, idéias repetidas e frases confusas depois, explico: sou medrosa. Não pouco, muito! O medo domina a maioria dos meus atos. Há quem diga que o medo é elemento essencial para uma vida regrada. Há quem observe e não perceba tamanha fragilidade em mim, é que me escondo muito bem sob atitudes que parecem ousadas, mas que são, em verdade, o que de mais normal um ser humano pode fazer, sem ter nem que dominar o medo em sua menor instância. Já me arrisquei, e como. Já dominei medos que nunca julguei serem passíveis de coleira. Rompi o silêncio – quer medo maior que falar e correr o risco de ser mal interpretada? Eu me arrisquei várias vezes. Mas, por outras tantas, calei. Silenciei as palavras e as atitudes. Neguei força ao instinto, encarcerei o coração.
Mas nada disso importa, o que o meu medo quer dizer? Nada. Aproprio-me dele hoje apenas para explicar a insegurança que sinto. E faço isso por não saber defini-la. Seria a insegurança o medo que paralisa, que faz com que o sentimento seja só de quem o sente de fato? Não sei, e tampouco isso importa. Tal qual a esperança de João Bosco, equilibro-me numa corda bamba de sombrinha, “e em cada passo dessa linha” posso me machucar. Sinto-me uma equilibrista tão pouco eficiente, que, por sorte, ainda não fui ao chão. É que às vezes precisa-se de uma mão para dar apoio, de um conforto para ceder coragem. Não que falte, bem, quase nunca falta. Mas quando falta, ah, aí o circo vem abaixo e eu, em cima da corda, me penduro e espero socorro. Peço que me salve, por favor. Eu imploro. Não me deixe cair!
E insegura que sou, vou ali publicar de olhos fechados, por medo da reprovação.

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